No princípio, era um meteoro (da paixão), que passeou por céus brasileiros entre 2008 e 2009, explodiu e virou estrela. Então, passou a transitar por tempos e espaços diversos. Se no ano passado Luan Santana visitou os anos 50 e 60 com um DVD acústico, desta vez ele avança uma década e lança “1977”.

— Apesar de estar sempre atento ao mundo contemporâneo à minha volta, às vezes tenho a sensação de que nasci na época errada. Sou muito fascinado por carros, cidades, músicas do passado. O jeito de falar de amor também era diferente, mais verdadeiro. Pode parecer clichê, mas é o que sinto. Acho que sou, literalmente, o romântico à moda antiga — confessa o rapaz, que deixou para trás o rótulo de sertanejo e abraçou com força o pop para cantar o amor.

Sobre o título enigmático do DVD — exibido em 65 salas de cinema na última terça-feira e que vai ser lançado em formato físico no próximo dia 20 — ele não se cansa de repetir a explicação: foi o ano em que a ONU proclamou 8 de março como o Dia Internacional da Mulher:

— Queria um nome diferente, algo que ninguém entendesse, como Beyoncé fez quando lançou o CD “Lemonade”. Depois, ela explicou que os escravos tomavam limonada achando que embranqueceriam… Triste, né?

Seu “1977” também remete à História: em clima intimista, foi gravado num cenário que lembra o ambiente industrial, onde as operárias lutavam por igualdade. E, apesar de ter músicas sobre amor sofrido, como as que Luan canta com Ivete Sangalo, Ana Carolina e Marília Mendonça, o DVD não evoca tristezas. Ao contrário, é uma celebração à figura da mulher e suas particularidades.

— Sou apaixonado por elas. Se tenho uma porção feminina, é a da sensibilidade para compor — sublinha o artista, que também convidou Sandy, Anitta e, olhem só!, a atriz Camila Queiroz para cantar com ele.

— Luan me viu dublando a Jennifer Lawrence no Snapchat e achou que eu sabia cantar. Cismou com isso. Eu deixei a timidez de lado e confiei, né?— conta Camila, que recebeu um selinho do cantor ao final da música: — Não foi um beijo roubado. A diretora que pediu! E foi só um, não gravamos de novo.

Luan deixou que Camila escolhesse entre “Contrato”, composição mais sexy, parecida com a Angel de “Verdades secretas”, ou “Amor de interior”, tudo a ver com a Mafalda de “Êta mundo bom!”.

— Ela se sentiu mais à vontade com a segunda. E arrebentou! — elogia o cantor, contando que “Contrato” caiu no gosto de Zezé Di Camargo e pode entrar no próximo CD dele com o irmão Luciano.

Duas canções com pegada sensual mostram que Luan realmente cresceu: “Acordando o prédio”, que fala da transa com uma garota nada discreta, e “Eu, você, o mar e ela”, em cujo clipe ele aparece pela primeira vez sem camisa, em cenas quentes com a modelo Gabriele Marinho.

— Queria falar de amor de forma mais picante. É legal também dar uma apimentada no romantismo, né? E eu já me relacionei com algumas mulheres mais eufóricas assim (risos)… — entrega, sobre a música com os versos “Aonde foi parar o seu juízo/ Já são quatro da manhã/ Daqui a pouco liga o síndico/ Será que tem como a moça gritar baixinho? Sei que está bom mas as paredes têm ouvidos”.

Antes de convidar seis cantoras para “1977”, Luan tinha pensado produzir alguma coisa em parceria com a amiga Anitta, assim como Ana Carolina e Seu Jorge fizeram. Depois, o projeto acabou se ampliando.

— Luan é muito talentoso, querido, sempre atencioso. Nós somos amigos, então, dividir o palco com ele foi especial. Fiquei feliz demais com o convite dele para essa participação — diz Anitta.

Marília Mendonça foi outra que se empolgou com o convite do cantor.

— Quando eu comecei a gostar de sertanejo, ele era o ídolo das menininhas. Quando comecei a cantar, ele já estava estourado. Eu, como adolescente, achava o Luan um príncipe, e acho até hoje. Só não sabia que era tão fã dele até subir ao palco junto. Eu me tremia toda! — conta a rainha da sofrência, comemorando a iniciativa do colega em homenagear o universo feminino: — É maravilhoso ter um artista, homem, com a projeção dele, cantando as mulheres. A maioria dos artistas sertanejos sempre me respeitou e admirou como compositora e cantora. Não tem essa de machismo, somos todos iguais, temos a mesma força.

Fonte: Extra Globo

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